Pré-história

Há cerca de 5500 e 4500 anos, as ilhas maltesas foram habitadas por uma sociedade extraordinária, inteligente e engenhosa. As ilhas assistiram a um fenómeno de construção único, megalítico.

As vidas e crenças destes habitantes primitivos das ilhas estão encobertas em mistério. No entanto, eles deixaram-nos uma indicação de como seria o seu estilo de vida e o seu nível de sofisticação através de um número impressionante de estruturas elaboradas, que ainda existem hoje em dia.

Os templos em Ġgantija, Gozo, são considerados os monumentos mais antigos no mundo que permanecem preservados até aos dias de hoje. São anteriores à Grande Pirâmide de Cheops no Egito e ao Stonehenge na região sul da Grã-Bretanha em cerca de 1000 anos. O Hipogeu Ħal Saflieni em Paola - um labirinto de passagens e câmaras esculpidos na rocha - são um exemplo extraordinário da engenharia pré-histórica. É o único templo e necrópole subterrâneos do género no mundo.

Existem outros templos, nomeadamente Ħaġar QimMnajdra Tarxien, bem como dezenas de outros sítios que parecem confirmar a teoria de que Malta foi em tempos uma "Ilha Sagrada" - uma espécie de centro de culto e práticas místicas para as comunidades pré-históricas da região.

Pensa-se que o novo povo que habitou as ilhas após o período Neolítico tenha vindo do sudeste da Sicília. Podemos encontrar os seus túmulos escavados na rocha em Ħaż-Żebbuġ e Xemxija, Malta; e em Xagħra, Gozo. Os túmulos já eram trilobados ou trifoliados, uma forma desenvolvida mais tarde e na sua plenitude nos principais locais dos templos. Estas catacumbas foram possivelmente as antecessoras de enormes complexos subterrâneos, tal como o Hipogeu. Porém, este local e as câmaras mais pequenas em Xagħra continuam a ser as únicas descobertas significativas até à data.

Na altura da construção de Ġgantija, estes agricultores já tinham desenvolvido um novo sistema cultural, em completo isolamento e sem qualquer influência externa. Apesar de estes povos terem mantido o contacto com o seu território ancestral na Sicília e terem viajado até outras ilhas italianas, Pantelleria e Lipari, por razões comerciais, não existem indícios de que tenha existido qualquer intercâmbio cultural. Os seus templos e crenças continuam a ser únicos das ilhas maltesas.

A cultura dos templos teve um final misterioso aproximadamente no ano 2500 a.C. Não se sabe se estes povos foram extintos, subjugados por invasores ou simplesmente abandonaram a ilha. Foram substituídos por povos de várias partes do Mediterrâneo durante a Idade do Bronze.